MARTIM - a nossa freguesia
"Martim, orago de Santa Maria sob invocação de Nossa Senhora da Expectação ou Nossa Senhora do Ó, era uma vigararia da apresentação alternativa do papa e da Mitra, Martim, segundo o padre António Gomes Pereira, vem do genitivo "Martini" do nome próprio latino "Martinus"; Martim devia ser pois "Vila Martini", a vila ou quinta do Senhor Martim, para mais tarde se transformar na freguesia desse nome.
Esta freguesia vem nas Inquirições de 1220, com a designação de "Santa Maria de Martim", da terra de Penafiel de Bastuzo. Nestas Inquirições se diz que o Rei não tem aqui reguendo algum e que daqui não cobra foro. Disseram mais que esta freguesia era metade do Rei e que o Rei D. Sancho a deu ao Senhor Pedro Afonso e sua mulher; que ouviram dizer que esta doação foi feita por carta, mas que a não viram; que esta igreja tem sesmarias e um casal, Vilar de Frades 9 casais, Tibães 15 casais e Braga 1 casal.
Esta freguesia, conjuntamente com a sua vizinha de Encourados, era couto, conhecido pelo couto de Martim. Ignoro quando perdeu esta regalia.
Está situada em planície, nas margens do Cávado, entre o rio e o monte de Airó, ao sul. Confronta pelo Norte com a freguesia da Pousa; pelo nascente com a de Cabreiros e a de S. Julião de Passos, do concelho de Braga; pelo sul com a de St. Estevão de Bastuço e pelo poente com a de Encourados. É fertilizada pelo ribeiro de Labriosque que nasce em S. Julião de Passos, atrevessando esta freguesia da Pousa, vai lançar-se no Cávado, e pelo ribeiro de Vilar que nasce em Bastuço Santo Estevão, atravessa esta freguesia, a de Encourados e a de Areias de Vilar e vai também desaguar naquele rio.
É servida pelas estradas de Esposende a Braga, de poente a nascente, e pela que desta estrada vai pela Pousa à Graça. Na intercessão desta estrada com aquela está a igreja paroquial desta freguesia, dentro de um adro cercado por grade com uma porta de serventia. O seu edifício, em estilo barroco é relativamente antigo, talvez do sec.XVIII.
A entrada para o adro era primitivamente pelo lado do norte, mas quando foi da construção da estrada da Pousa foi demolida uma casa que estava em frente à igreja, alargado o adro e feita a entrada para este ao poente, com comunicação para a entrada. No sítio do antigo caminho, encostado ao adro, foi mais tarde construído o Cemitério Paroquial, tendo sobre a sua porta principal virada para aquela estrada da Pousa, a data 1916.
O Cruzeiro Paroquial, fica junto aquela estrada da Pousa, ao norte da Igreja. A cruz eleva-se em cima de uma coluna com capitel coríntio. É pequeno, sem data, mas parece ser antigo. Seguindo esta estrada mais a norte acha-se a Capela de Santo António. É esta antiga ainda que não possa determinar a data da sua fundação. Pela sua arquitectura parece que a actual capela deve ser do século XVIII. Ainda que não esteja bem conservada é um lindo templozinho consagrado ao nosso popular Santo Português. Está no centro de um adro fechado por parede com duas portas de serventia para quais se sobe por uma escada de pedra. O edifício não é grande mas é bem proporcionado, elevando-se ao lado esquerdo da sua fachada uma curiosa sineira, seguindo-se-lhe a sacristia. Em frente à porta principal estende-se um amplo alpendre de bancos, parapeiteado de pedra suspenso em oito bojudas. Dentro do altar é em bela talha renascença, que restaurada seria um primor, e o pavimento lajeado. Nas paredes estão dependurados oito quadros, quatro de cada lado, representando a vida de Santo António, belamente pintados e emoldurados em ricos caixilhos em talha dourada. Esta capela é pública e administrada pela confraria de Santo António. Em frente a esta capela passava a antiga estrada de Barcelos a Braga.
Na parede de uma casa ao lado direito da estrada distrital de Esposende a Braga está num nicho onde se venera a imagem de Santo António. Por baixo dessa imagem, pintada no mesmo painel, lê-se a seguinte inscrição: "Mandou restaurar este quadro de St. António a benfeitora Ana Joaquina da Costa, ano de 1923.
Houve nesta freguesia um nicho onde se venerava o mesmo santo, que deve ser este para aqui mudado depois da construção da estrada, no qual, corre na tradição que tinha por baixo da imagem do seu patrono a tão célebre e decanta inscrição: Santo António da Pádua, natural de Lisboa ora residente em Martim, Manoel Luiz Pereira o fez em Barcelos. Esta inscrição foi com certeza apagada antes da restaurada de 1923. Não há dúvida que esta inscrição existiu, pois há pessoas que afirmam tê-la visto e não custa acreditar na sua existência, pois o pintor que a assina tinha o costume de meter pelo meio das suas pinturas dizeres elucidativos das mesmas.
Haja vista o seu quadro do Juízo Final na Igreja de St. Eugénia de Rio Côvo e ainda outros. Manuel Luís Pereira, de Barcelos, pinto razoável, viveu nos meados do século XIX. Perseguido pelos miguelistas foi refugiar-se na Residência Paroquial da freguesia de Fonte Boa, concelho de Esposende. Nas hortas vagas da sua forçada reclusão pintou vários quadros, entre os quadros, entre os quais as quatro estações do ano, ainda existentes na sala de jantar daquela casa. Em um deles escreveu: "Iste" Fecit Ille solvit- Manoel Luiz Pereira Anno 1833, querendo ter piada, mesmo em latim. A sua obra foi grande pelo menos em número. Que me lembrem, além dos referidos, pintou quatro quadros representando as quatro estações do ano para a sala de jantar de Manuel José Alves Redondo da Cruz, morador em Barcelos, e os quadros biblícos que estão no Templo do Bom Jesus da Cruz. Na sala de jantar de uma casa pertencente ao Dr. Eduardo Salazar pintou ele uma lebre sobre um pinheiro! A este pintor se refere elogiamente o autor das "Cartas da aldeia" para o "O Commercio de Barcellos", em 22 de Julho de 1900. É pois de acreditar que o Santo António de Martim fosse obra sua, bem como aquela célebre inscrição.
A população desta freguesia no século XVII era de 56 vizinhos; no século XVIII era de 132 fogos; no século XIX era de 617 habitantes e pelo 7° censo da população é de 794 habitantes, sendo 369 varões e 425 fêmeas, sabendo lêr 135 homens e 37 mulheres.
Esta população está distribuída pelos seguintes lugares habitados: Riquinha, Pousada, Pomares, Venda, Caldelas, Martim de Além, Lousa, Igreja, Valteiro, Costa, Boucinha e Cárcova. As suas casas mais importantes são: a da Renda, a do Barroso, a da Fábrica, a dos Calheiros, a dos Gomes, o do Casal de S. José e a dos Loureiros. A Caixa do Correio foi elevada há pouco tempo a estação postal. Dos homems mais importantes cujos nomes andam ligados a esta freguesia destacaremos os seguintes: Dr. José Joaquim Lopes Cardoso, nascido nesta freguesia, na casa da Renda, médico cirúrgico pela escola do Porto, agraciado com o título de visconde do Castelo, foi professor do liceu de Braga no último quartel do século XIX. O padre Jerónimo Luís da Costa, natural desta freguesia, nascidos aos 11-9-1885, filho de antónio José da Costa "O Seco", e de Clementina da Silva, formado em Direito pela universidade de Coimbra em 1919, advogado nos auditórios do Porto, professor dos liceus de Bragança, Funchal e Alexandre Herculano, "Porto", faleceu aos 12 de fevereiro de 1926, na vila da Póvoa de Varzim. O padre António Joaquim Marques, natural da freguesia de Souto , Terra de Bouro, nascido em 7 de Dezembro de 1827, foi colocado pároco em Martim aos 16 de Janeiro de 1868, tendo falecido em 2 de Fevereiro de 1901. O Padre José Luís da Silva Correia, natural de Encourados, casa de Santa Ana, foi pároco de Martim onde faleceu em 1925.
Na freguesia de Cabreiros, limites desta de Martim, há uma povoação relativamente importante, conhecida pelo nome de Porto de Martim. Esta povoação é atravessa pela estrada distrital de Esposende a Braga, por onde passava também a antiga estrada real de Barcelos a Braga. Não há dúvida de que por aqui seguia uma via romana que desde Braga por Ferreiros, calçada da Naia vinha enfrentar no rio Cávado. Os romanos, quando do seu domínio absoluto nesta parte da península, subiriam em barcos pelo Celano desde Fão, onde deixam as suas naves, até Areias de Vilar e dali, tomando a via terrestre, vinham directamente para a sua Brachara Augusta, cidade importante naquele tempo, sede de um convento juríco.
Entrando pelo mundo das suposições talvez neste lugar aqulela via romana de bifurcasse, seguindo uma por Encourados, Vilar, Santa Eugénia de Rio Côvo, Barcelos, etc e outras directamente ao rio, à Bouça da Barrra, onde aquele povo fazia o embarque de gente e mercadorias.
No ponto de bifurcação daquela estradas puseram-lhe o nome de Porto, Porto de Martim, como ainda hoje é conhecido. Era ali o porto ou por ali se ia ao porto de embarque e desembarque. O rio Labriosque, descendo o monte de Airó, passa, como dissemos nesta freguesia.
A estrada distrital galga-o em uma pequena ponte que a um viandante a 60 à hora passa despercebida."
in "O Concelho de Barcelos aquém e além - Cávado" de Teotónio da Fonseca
 
  Igreja Paroquial
 
  Largo de St. António
 
  Capela de St. António
 
  Rio Labriosque
 
  Panorâmica de Martim
 
  Caminho Martim D´além
 
  A11
 
  Vista de caminho rural
 
 
 
     
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