O ministro da Saúde, Correia de Campos, ditou, o fecho da maternidade do hospital Santa Maria Maior, em Barcelos, até 30 de Junho, no âmbito da reestruturação das maternidades do país. Entretanto, a pedido da Câmara Municipal de Barcelos, foi judicialmente aceite a suspensão do processo de encerramento da maternidade pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga.
Depois dos postais enviados pelos barcelenses ao ministro da Saúde e da conferência/debate que se realizou no passado sábado em Barcelos, é a vez de milhares de barcelenses 'baterem à porta' do primeiro-ministro em Lisboa, alertando-o para o erro que está a cometer. E os martinenses não podiam perder a oportunidade para também manifestar a sua posição contra a medida do Governo.
O presidente da Câmara, Fernando Reis, já explicou à população que o anunciado encerramento da Maternidade do Hospital de Barcelos, “além de prejudicar gravemente a população do concelho, não é justificada pelo Governo com argumentos credíveis”, uma vez que a Maternidade de Barcelos “cumpre as normas propostas pelo Colégio de Especialidade de Ginecologia/Obstetrícia para o funcionamento do bloco de partos”.
A autarquia desmonta um a um os argumentos do Governo e contrapõe com as actuais condições da Maternidade de Barcelos: O Governo exige um bloco de partos na Maternidade e a Maternidade do Hospital de Barcelos dispõe de um bloco de partos – que em 2002 foi reforçado com meios físicos e equipamento – com quatro cabines de parto totalmente equipadas e com a privacidade necessária para a presença do pai durante o parto. O Governo exige um bloco operatório e as cirurgias da Maternidade do Hospital de Barcelos são realizadas no bloco operatório do Hospital, situado no mesmo piso da Maternidade. O Governo exige serviço de anestesia e o bloco de partos de Barcelos tem o apoio permanente de anestesista e tem também disponível a anestesia peridural (epidural) para todas as grávidas que o desejarem. O Governo exige meios de reanimação do recém-nascido e em cada sala de partos da Maternidade de Barcelos existe mesa de reanimação do recém-nascido. O Governo exige meios de recobro e de monitorização e as cabines do bloco de partos de Barcelos estão equipadas com cardiotocografo, monitor de parâmetros vitais maternos e bomba perfusora. O Governo exige especialistas em obstetrícia, em anestesia e em pediatria e o bloco de partos tem o apoio permanente de Pediatria, do Serviço de Neonatologia e de Anestesista e o serviço de Maternidade do Hospital de Barcelos é assegurado por dois médicos especialistas em permanência, 24 horas por dia. Conta ainda com seis médicos do quadro e com a colaboração de cinco médicos contratados.
O Governo exige a realização de 1.500 partos por ano, mas a Maternidade do Hospital de Barcelos, assim como mais de metade das maternidades do País, não cumpre este número.
Considerando o encerramento da Maternidade uma “posição meramente política e economicista, numa área tão sensível como é a Saúde da Mulher e da Criança”, o presidente da Câmara garante que o “Governo está a discriminar Barcelos”. Isto porque, o Governo vai encerrar a Maternidade de Barcelos por ter menos de 1.500 partos/ano, e não encerra todas as outras maternidades do País (mais de metade) que também têm um número de partos inferior a 1.500.
Além disso, o Governo quer encerrar a Maternidade de Barcelos, baseado num estudo de uma Comissão, que nunca visitou o Hospital, nem sequer ouviu os responsáveis hospitalares, nem a autarquia.
Fernando Reis garante ainda que o Hospital de Braga não tem condições para receber o avultado número de partos das grávidas dos concelhos de Barcelos e Esposende.
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