As duas primeiras fases do projecto ‘Descobrir Martim’, promovido pela Junta de Freguesia superou as expectativas. Mais de 20 jovens da freguesia fizeram, durante dois meses, o “levantamento exaustivo” das tradições, lendas, ‘monumentos’ e marcos geodésicos existentes em Martim. O resultado foi “extremamente positivo e surpreendeu toda a gente”, referiu o presidente da Junta de Freguesia de Martim, António Carvalho, adiantando que “a 3.ª fase vai já avançar e não fica apenas, como estava previsto, pela realização de um roteiro. Com tanta informação pretendemos fazer um livro sobre a nossa Terra”.
Este projecto só foi possível com a colaboração preciosa de 22 jovens da terra, entre os 13 e os 22 anos. O projecto ‘Descobrir Martim’, aprovado pelo programa de Ocupação de Tempos Livres do Instituto Português da Juventude, avançou em Julho com grandes desafios pela frente: encontrar e sinalizar os marcos geodésicos que delimitam as ‘fronteiras’ de Martim com as freguesias limítrofes, fazer o levantamento dos ‘monumentos’ existentes e descobrir as lendas e tradições da nossa terra. E descobriram…muito mais do que qualquer um de nós pensamos à partida. O manancial de informação “é tão rico e tão precioso que não o podemos perder. A ideia é organizar toda a informação recolhida, sobretudo junto dos mais velhos, e fazer um livro sobre os ‘monumentos’ e as lendas e tradições de Martim”, revelou o autarca.
A freguesia de Martim é uma terra que guarda pequenas ‘obras de arte’, umas conhecidas e bem conservadas, mas outras, acreditamos, continuam ‘escondidas’ à mercê da degradação e da destruição. Daí surge, a ideia do projecto ‘Descobrir Martim’ com o objectivo de encontrar as nossas fontes e fontanários, as alminhas, os cruzeiros, as capelas, a igreja e descobrir as nossas lendas e histórias. E quem melhor para fazer esta pesquisa? A Junta de Freguesia de Martim chamou os jovens para esta missão. Descobrir e encontrar o património ‘escondido’ e esquecido, inventariar o que se conhece e o que se descobriu foi a meta. E conseguiram, sempre, com a ajuda dos mais velhos. “Tínhamos a certeza que seria uma experiência gratificante e enriquecedora e todos a ganhamos, os jovens e menos jovens, em particular, e a freguesia, em geral”, sublinhou António Carvalho.
Os jovens mostraram-se satisfeitos e orgulhosos por conseguirem tanta informação e de descobrirem tradições que já estavam um pouco ‘guardadas’ na memória dos mais velhos, e ‘ameaçavam’ desaparecer. A experiência mais engraçada, para além das descobertas, foi, na opinião dos jovens, as manhãs que passaram junto dos ‘avós’ da freguesia a ouvirem contar as histórias do passado e das aventuras pelos recantos da nossa freguesia, sempre com a ajuda preciosa de alguém que se oferecia para ajudar.
Património a não perder
“Quremos continuar a ver Martim como uma terra rica onde podemos ‘beber’ um manancial permanente de história a decifrar no património, na cultura, nos valores e na tradição”, frisou o presidente da Junta de Freguesia. Numa altura em que a palavra de ordem é ‘Progresso’, Martim, “apesar de apostar fortemente no futuro, não quer esquecer o passado e as suas raízes”, garante o autarca. Na realidade, continua António Carvalho, “Martim tem uma variedade de panoramas com valor histórico-cultural. Embora não se possa considerar um verdadeiro ‘postal ilustrado’, temos consciência que Martim tem valor e não o podemos perder nem deixar esquecer. Daí surgiu a necessidade de fazer um levantamento rigoroso ao nosso património, à nossa cultura e às nossas tradições”.
Projecto dividido
em três fases
Assim numa primeira fase, os jovens descobriram os marcos geodésicos para conseguirmos definir os limites da freguesia. Os dois grupos envolvidos nesta tarefa encontraram quase 20 marcos geodésicos, sinalizando-os e identificando-os.
Uma tarefa árdua, já que não havia indicação de onde ele estavam colocados. Só com a ajuda dos mais velhos, os jovens lá foram encontrando, a maior parte dos marcos, no meio do monte.
Numa segunda fase, os mais novos descobriram e encontraram o património construído da freguesia, tentando obter o máximo de informação, junto das pessoas de mais idade da freguesia, sobre cada uma das ‘obras de arte’. Além da informação sobre os ‘mais de 50 monumentos’ descobertos, desde capelas, fontanários, cruzeiros, alminhas, fontes até espigueiros, o trabalho será completado com fotografia de cada um deles.
Mas outro grupo de jovens tiveram pela frente o desafio, talvez, mais gratificante: descobriram as tradições (lendas, histórias, danças, músicas e actividades típicas) que ainda persistem na nossa Terra, sempre com a ajuda de “longas, mas interessantes” conversas com os mais velhos.
A ‘investigação’ e ‘pesquisa’ dos marcos geodésicos, ‘monumentos’, lendas e tradições da terra, terminou este fim-de-semana com a ‘visita’ e ‘passagem’ dos jovens envolvidos no projecto por todos os locais onde passaram, mostrando uns aos outros o que foram descobrindo.
A Junta de Freguesia de Martim vai, agora, editar um roteiro da freguesia e reunir toda a informação num livro sobre a nossa Terra.. Um roteiro e um livro que pretendem ser um instrumento de preservação e divulgação da nossa Terra, dos nossos costumes, dos nossos valores e das nossas tradições. Preservar o passado, construindo o futuro com a ajuda sempre preciosa dos jovens e dos menos jovens.
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