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O melhor e mais concorrido Dia de Martim
16/08/2010
O melhor e mais concorrido Dia de Martim

Em meados de Agosto, impõe-se o império da praia; mas mesmo no limite nascente do concelho de Barcelos uma aldeia resiste: os seus habitantes, reúnem as famílias e os amigos à volta de uns petiscos, disputam uns jogos e dançam um baile. Em Martim, ontem, como desde há nove anos, foi assim. Pastéis de bacalhau ou porco assado no espeto, vinho verde ou limonada, o repasto ao ar livre já servia para os mais novos retemperarem as energias que durante a manhã haviam consumido nas provas de atletismo ou no rally-paper.
Centenas de pessoas voltaram à sombra do arvoredo da Praça de Santa Maria, junto ao Jardim de Infância, para celebrar o Dia de Martim. Ao princípio da tarde, ainda muitos iam na sobremesa já vários dos mais irrequietos jogavam a bola ou entregavam-se às acrobacias no parque radical. Muitos garantiram ao ‘Correio do Minho’ que este ano veio mais gente do que nos anos anteriores.

Parabéns, Dona Virgínia

Um desses testemunhos é da Dona Virgínia que hoje mesmo celebra o seu próprio aniversário e por isso, desde a primeira edição, vive o Dia de Martim intensamente, tanto mais que à meia-noite cantam-lhe os “parabéns a você”.
“Isto é um espectáculo! É tudo do bom e do melhor. Como eu faço anos amanhã (hoje) não resisto a ficar até à meia-noite: converso, logo ao fim da tarde ainda como uma sardinha e um caldo verde, dou um pé de dança e depois cantam-me os parabéns. E todos gostam do meu doce de maçã”.
Outra martinense “nascida e criada nesta freguesia” aproxima-se da nossa reportagem, jarro à cabeça, a vender limonada. “Fresca e doce!”, apregoa.

De Famalicão com os amigos

De Vila Nova de Famalicão veio João Carlos, a convite de amigos que residem em Martim. “Eu não sou de cá, mas volto a convite dos meus amigos e compreendo muito bem o gosto que eles têm por isto. Gosto de ver os jogos tradicionais e do convívio”, acrescenta o famalicense.
O presidente da Junta de Freguesia, António Carvalho, em declarações à nossa reportagem destaca que esta já é a nona edição, continuando a registar-se uma adesão crescente. “É interessante o envolvimento de toda a população”, salienta, vincando a antecedência com que os participantes vão marcando lugares para instalar as mesas e preparam os seus grelhados e o entusiasmo com que os mais novos se envolvem nas provas desportivas.
O autarca evita revelar o custo que esta iniciativa implica para a Junta de Freguesia. “O caldo verde e o pão milho são oferecidos. A Junta compra as sardinhas mas a um custo à saída do mar”, adianta.
Vamos para o ano tentar ir mais cedo e provar o doce de maçã da Dona Virgínia.

Texto de Rui Serapicos
in 'Correio do Minho' (16/08/2010)





Dia de Martim juntou mais de dois mil
em ambiente festivo e de saudável convívio


O dia de ontem foi de festa rija em Martim, Barcelos, com diversas actividades entre as 7h00 da manhã e a meia-noite. O Dia de Martim, uma jornada de convívio – que se realizou pela nova vez e que o povo martinense já não dispensa – incluiu cerimónias religiosas, actividades radicais, jogos tradicionais, música ao vivo, petiscos e muita animação, num belo exemplo de convivência saudável e de orgulho bairrista.
Reunidos num terreno propriedade da freguesia, próximo do jardim-de-infância, equipado com mesas para piquenique, sob um belo arvoredo, pessoas de todas as idades, residentes de Martim, «pessoas que não são da terra, mas têm cá famílias e também emigrantes» – explica o autarca António Carvalho – decidiram ali passar o dia, em espírito de união, onde tanto os avós como os netos usufruíram de um excelente dia entre família, amigos e vizinhos.
Porque em Martim, o povo é devoto, o programa do Dia da Freguesia começou bem cedo, logo às 7h00 com uma missa, no dia da Senhora da Assunção, por intenção de todos os martinenses.
Depois da celebração eucarística, seguiram-se as actividades lúdicas e recreativas: primeiramente, provas de atletismo e um rally paper. Seguidamente, por volta do meio-dia, foi servido o almoço, em que cada família traz os respectivos farnéis de casa e se junta para comer, partilhar e conviver. A Junta apenas contribui ao final do dia, pelas 19h00, com a oferta de uma sardinhada, com broa de milho e caldo verde, feita no local da festa.
Durante a tarde, houve jogos tradicionais e, para os mais radicais, paintball, enquanto que para as crianças foram instalados insufláveis e jogos, como matraquilhos e outros.
E, como não poderia deixar de ser numa festa popular, houve muita música: primeiro, com actuação do Rancho Folclórico da Casa do Povo, uma Banda da terra, Grupo de cantares ao desafio «também da freguesia» e, à noite, um grupo de baile dinamizou o espaço e pôs a gente a dançar. A festa terminou por volta da meia-noite, com uma pequena sessão de fogo-de-artifício.

Uma festa
enraizada

De ano para ano, a festa «tem vindo a crescer e nesta altura é uma festa que já está bem enraizada no povo de Martim», refere o presidente da Junta, garantindo que, em termos orçamentais, nada não há grandes alterações. «Vamos mantendo, desde a primeira edição o que é típico nestas festas. A Junta lançou a ideia e as pessoas da terra é que vão dinamizando isto. Cada família traz as suas merendas, os grupos musicais que actuam são cá da terra. As únicas despesas da Junta são na sardinhada e no caldo verde e com os insufláveis para os mais jovens. Mas acaba por ser residual, tendo em conta a dimensão da festa», sublinha António Carvalho.
Quando, em 2002, se organizou pela primeira vez o Dia de Martim, o presidente da Junta (que já era na altura) não previa uma adesão tão forte das pessoas. De uma «espécie de brincadeira», o 15 de Agosto em Martim é agora uma data obrigatória no calendário dos martinenses.
«Esta freguesia tem características muito próprias em termos de bairrismo. Isto foi crescendo de ano para ano e agora atingiu as proporções que todos vemos. As pessoas aderem, porque há aqui coisas para todas as idades e vive-se um espírito de amizade e convívio», explica o presidente da Junta, realçando a participação é de todos «Pode dizer-se que entre as primeiras horas da manhã e a meia-noite passa por aqui praticamente toda a população da freguesia. É um convívio familiar, de toda a família martinense», garante.
António Carvalho cumpre, por imposição legal, o seu último mandato como presidente da Junta de Martim, mas acredita que, independentemente dos ciclos eleitorais e de quem vier a seguir para tomar conta dos destinos da freguesia, está convencido que a celebração do Dia de Martim vai continuar. «Eu concordo com a limitação de mandatos e, em relação a esta festa, acredito que, venha quem vier, esta festa vai continuar, pois as pessoas são todas da terra e estão sensibilizadas para esta celebração», assegura.

Texto de Daniel Lourenço
in 'Diário do Minho' (16/08/2010)

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