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Trabalho e dedicação de um homem
03/01/2005
Trabalho e dedicação de um homem

Já lá vão trinta anos de dedicação e de trabalho. O presépio movimentado da igreja paroquial de Martim, que já foi considerado o melhor das redondezas, continua a atrair centenas de pessoas. A tradição permanece em Martim pelas mãos de Manuel Rodrigues que, apesar do infortúnio lhe ter ‘batido à porta’ e o ter colocado numa cadeira de rodas, continua a transformar em realidade, todos os anos, um dos ‘ex-libris’ da terra. Mas, Manuel Rodrigues apela aos jovens para “se aproximarem e aprenderem” a fazer o presépio da terra, pois receia que “a tradição se acabe um dia destes”.
Entre a cabaninha e a viagem dos Reis Magos com os presentes, o presépio também não deixa de fora as diversas actividades típicas da época. O barbeiro, o ferreiro, o carpinteiro, o padeiro, as vacas a ajudarem a tirar água do poço, as ovelhas a pastarem, o moinho a moer a farinha, os homens a apanhar azeitona…e muitas outras actividades marcam sempre presença no presépio movimentado da freguesia. Este ano, as novidades são uma réplica da igreja paroquial e o engenho. Com uma moeda de 50 cêntimos, pequenos e graúdos ficam encantados com tanta movimentação, cor e animação. As vacas andam, a água corre, os sinos fazem barulho, o barbeiro corta a barba, o ferreiro aguça o ferro, o carpinteiro serra a madeira, a roda do moinho gira e até os Reis Magos seguem viagem até à cabana onde nasceu o Menino. Tudo ganha vida.
Com apenas 15 anos, Manuel Rodrigues foi um dos mentores do presépio movimentado da freguesia. Manuel Rodrigues lembra com saudade os “velhos tempos”, quando “não faltavam moços para trabalhar e fazer o presépio com dois meses de antecedência”. Na altura, existia a Comissão de Festas, constituída apenas por homens solteiros. “Todos os anos reuníamos bastantes rapazes para fazer o presépio. Fazíamos grupos e em casa, dois meses antes do Natal, começávamos a fazer as figuras e as representações necessárias para aquele ano. Todos os anos havia novidades”, lembrou Manuel Rodrigues, que continua a fazer os possíveis para que assim continue a ser.
Na altura, a Comissão de Festas era constituída apenas por homens solteiros e, conta Manuel Rodrigues, “quem casasse era de imediato ‘expulso’ da comissão de festas”. Entretanto, a comissão acabou e “as pessoas deixaram cair um pouco a vontade e o orgulho em fazer um dos presépios mais importantes das redondezas”, disse Manuel Rodrigues, recordando os “bons velhos tempos em que centenas e centenas de pessoas vinham visitar o presépio com horário de visita predefinido”. Hoje, o presépio pode ser apenas apreciado no final das eucaristias entre o Natal e os Reis. Mas mesmo assim não deixa de ser admirado e elogiado por gente vinda de todos os lados.

Faltam jovens para aprender

Nos últimos trinta anos, a construção do presépio foi interrompida cerca de quatro anos. Entretanto, por essa altura, o azar também marcou radicalmente a vida de Manuel Rodrigues. Uma queda de uma árvore colocou-o numa cadeira de rodas. Mas não foi isso que o desmotivou e o fez desistir. Hoje continua a construir a estrutura em madeira e a fazer as figuras que são necessárias manualmente. “Aquilo que não consigo fazer, digo a quem me está a ajudar como se faz”, referiu o ‘cérebro’ do presépio da terra. Dezenas e dezenas de figuras, todas feitas à mão embelezam e dão vida ao presépio. Mas, lamenta Manuel Rodrigues, o presépio agora é sempre construído na última da hora e é feito apenas por três ou quatro pessoas e na estrutura em madeira são meia dúzia”. E acrescenta: “Uma pessoa tem sempre que assumir e todos os anos tem que se chegar para fazer o presépio. Somos poucos e os que estão já são pessoas com os seus 60 anos, por isso, é preciso pessoal novo que traga novas ideias e dê continuidade a este sonho”, alertou Manuel Rodrigues.
O presépio movimentado é todo construído em madeira e é movimentado com cordas e correias. Apenas existem pequenos motores eléctricos. A paciência e a habilidade de um homem marcam o presépio movimentado da igreja paroquial de Martim.

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